Quando me pediste para pensar em avenidas, tudo o que me ocorreu foi esta paragem, esta paragem do autocarro P4 para Lewisham, neste momento sentada no P4. Estava a caminho da festa de noivado de uma amiga. Era Fevereiro, fazia frio, nevoeiro, uma daquelas noites em que se fica em casa, a menos que seja preciso sair. Eu estava no P4 com uma garrafa de qualquer coisa, lembro-me de outra pessoa deixar cair uma garrafa atrás de mim, havia um cheiro a vinho tinto à medida que o líquido escorria pelo piso em movimento. Depois, o letreiro mudou e a voz anunciou CASINO AVENUE. Tudo parecia tão onírico e estranho.
Agarrei no telemóvel e tirei três fotografias rápidas, clique, antes que o letreiro mudasse.
Voltei várias vezes desde então. Não há nada parecido com um casino perto da Casino Avenue, sei porque já procurei. A verdadeira história é menos empolgante. Uma casa antiga que veio a ser demolida, pelo que agora a avenida é tudo o que resta. Ao subir a avenida, as casas perdem-se numa espécie de sonho suburbano: céu nublado, rosas trepadeiras, a palete ocasional enfiada numa cerca. O que resta da Casa Perdida não é nada de novo, a não ser casas. Nada de especial.
No entanto, quando me perguntaste sobre avenidas, tudo o que consegui pensar era que havia algo no tipo de letra amarelo, na fotografia desfocada, na noite enevoada, no vinho entornado. Há tantas coisas a dizer sobre Avenidas, mas, de alguma forma, é isto que não me sai da cabeça…
Vídeo
Casino Avenue (devaneio), 2026 (1’ 30”, com som)
Vários vídeos gravados com iPhone, Fairport Convention, Reno, Nevada