Marcelo Felix é cineasta. O cinema como arte poética e ensaística norteia a sua prática entre filmes experimentais, poesia, investigação e intersecção de disciplinas, que o levam aos estudos clássicos e à tradução, à arte contemporânea e à programação de cinema. A relação conflituosa da sociedade com a natureza e a formação de uma consciência da vulnerabilidade da civilização são temas diversamente presentes nos seus filmes, a partir de A Arca do Éden (2011, ensaio sobre os percursos paralelos da preservação da botânica e do cinema, entre o Banco Mundial de Sementes no Árctico e os arquivos cinematográficos portugueses), nomeadamente em Flor e Eclipse (2013, antevisão de uma emancipação feminina defendida pela força), Paul (2016, encontro da música e do trabalho fabril numa reserva natural ameaçada) e Domínio (2019, despedida em contagem decrescente do mundo que pudemos conhecer). Entre pano de fundo e primeiro plano, essa dimensão prossegue em vários projectos seus em curso.
Takashi Sugimoto é um cineasta e artista visual radicado em Portugal. Nascido no Japão e a viver no Ocidente há quase três décadas, a sua prática reflecte a perspectiva de habitar o espaço «entre culturas». Através do cinema e da fotografia, explora as intersecções entre a cognição e a memória, estabelecendo uma ponte entre o micro dos gestos quotidianos e o macro do cosmos. A sua linguagem visual poética examina a profunda ressonância entre civilização, vida e espiritualidade. O seu filme mais recente, Ouro Negro (2024), foi galardoado com o Grande Prémio do Festival Internacional de Cinema Etnográfico de Belgrado e com o Prémio Especial do Júri do Festival de Cinema Tallinn Black Nights.