the earth is beautiful and terrifying and so is love
No início não era sobre ecrãs. Era sobre desenho. Era sobre matéria. Grafite comprimida em camadas infinitas sobre papel, até que a persistência e a obsessão se transformaram numa espécie de espelhos que refletiam tanto quanto absorviam a luz. Pensar, através de matérias, através de ecrãs, inscritos com uma relação de proximidade e de obsessão, de intimidade. Assim como os ecrãs que eu não faço, mas que uso, como toda a gente usa, e em que nos transformamos. Fazem a mediação de tudo: o gesto de refletir e absorver faz-se através e para lá deles.
No início não era sobre ecrãs. Era sobre o desenho da Terra. Era sobre matéria. As forças da Terra que, do seu interior mais profundo, projetam para a superfície novas versões do mundo, que se vão acumulando e transformando e criando vida. O vulcão é como o interior da Terra fala com a superfície, através de forças de tal forma poderosas que os mitos têm contado histórias sobre o seu poder desde que, como espécie, conseguimos falar. O vulcão constrói mundos e no mesmo gesto os desfaz.
Esta foi também sempre a promessa, fascínio e, simultaneamente, o horror da tecnologia. E dos ecrãs também.