Depois de um longo trabalho cinematográfico sobre os arquivos da Revolução dos Cravos, para a realização de SEMPRE – instalação apresentada na Cinemateca Portuguesa e filme estreado nas Giornate degli Autori em Veneza, em 2024 – partilho com os leitores uma selecção de novas experiências na mesa de montagem, imagens das avenidas de Lisboa, com as projecções de futuro que as habitam, na época da revolução e cinco décadas volvidas.
Advenire, «chegar a».
A palavra «avenida» refere-se a uma via de entrada, um caminho de aproximação.
Simboliza o acesso, a jornada e o progresso em direcção a um objectivo, ou destino.
Sem materiais dos nossos dias, o futuro não poderá compreender e interpretar o seu presente.
Esfir Chub
Em 1927, associando-lhe uma arrojada reflexão teórica, Esfir Chub realizou uma das primeiras obras cinematográficas constituídas prioritariamente por materiais de arquivo. Fruto de um longo trabalho de pesquisa, o filme A Queda da Dinastia Romanov foi realizado por ocasião das comemorações dos dez anos da Revolução Russa e é considerado o primeiro filme de compilação de arquivos da história do cinema.
«Por algum motivo considera-se que a emoção suscitada por uma película não representada converte o filme num fenómeno de ordem estética». Em contraste com as posições que, à época, estabeleciam uma distância intransponível entre cinema representado e não representado – reconhecendo carga emotiva e valor artístico apenas ao primeiro –, Chub, como Vertov, intentava um cinema documentário emotivo e de agitação, resgatando o cinema do real para a esfera da arte.
Duração: 5' 24''
Boicote à manifestação do Movimento de Libertação das Mulheres, 13 de Janeiro de 1975, Arquivo RTP
Manifestação de 8 de Março de 2024, sons e imagens de Luciana Fina