Índia 1855-1930

Índia 1855-1930

A galeria Prahlad Bubbar, em Londres, apresenta «The New Medium: Photography in India 1855-1930», uma selecção de fotografias indianas datadas de meados do século XIX até ao início do século XX. As primeiras câmaras fotográficas chegaram ao subcontinente em 1840, um ano após a sua invenção na Europa. A partir da década de 1850 em diante, assiste-se à proliferação de fotógrafos, britânicos e indianos, um pouco por toda a Índia, surgindo sociedades fotográficas em Mumbai, Calcutá e Madras. Muitos desses fotógrafos eram amadores, alguns deles médicos britânicos  que percorreram a Índia capturando a abundância de locais sagrados, monumentos, paisagens gloriosas e pessoas.
Na época, a administração colonial começou a utilizar fotógrafos para documentar e preservar monumentos nacionais, bem como instalações militares, nomeadamente após o motim de 1857.  Uma das primeiras imagens da exposição é uma grande impressão em albumina realizada pelo Dr. John Murray, um médico do exército, que fotografou inúmeros locais relacionados com o motim, como demonstra a imagem de pirâmides de balas de canhão dispostas em frente a uma importante mesquita em Agra.

Dr. John Murray, «The Arsenal and Pearl Mosque», Agra, circa 1858. Impressão em albumina, 35,5 x 42,6 cm


Uma parte importante do conjunto de fotografias apresentadas na mostra são obras de Raja Deen Dayal, um inspector de obras públicas que se tornou fotógrafo e viajou por toda a Índia, produzindo mais de 30.000 imagens de 1878 até à sua morte, em 1905. Dayal, que se tornou o mais célebre artista do século XIX da Índia, trabalhou para as elites indianas e britânicas, antes de ser nomeado fotógrafo da corte do Nizam de Hyderabad, de quem recebeu o título Raja Musavvir (em tradução livre, Guerreiro Corajoso da Fotografia).

Raja Deen Dayal, «Maharaja Bhan Pratap Singh of Bijawar», Central India, circa 1882. Impressão em albumina, 19,5 x 26,5 cm


A fotografia tornou-se o principal meio de documentação histórica e apresentação de poder e prestígio. Uma das fotografias de Raja Deen Dayal expostas, retrata o Marajá de Bijawar e a sua corte, onde é mostrada com toda a pompa e circunstância numa cena surpreendente.
 

Man Ray, «Maharaja Yeshwantrao Holkar II». Assinada por Man Ray e carimbada no verso: ‘Man Ray/31bis Rue/Campagne/Première/PARIS/Littre 76-57’, circa 1930. Gelatina e prata, 23.2 x 17.5 cm


Outras imagens presentes na exposição foram realizadas por fotógrafos amadores que trabalharam na Índia durante o século XIX e início do século XX e exploraram este novo e revolucionário meio desde muito cedo.
A exposição inaugurou a 8 de Junho e está patente até 10 de Julho, na Prahlad Bubbar, em Cork Street, Londres, rua conhecida por alojar inúmeras galerias de arte contemporânea. MM

unplace

Concebida exclusivamente para suporte digital na web, a exposição «unplace – arte em rede: lugares-entre-lugares», com curadoria de António Pinto Ribeiro e Rita Xavier Monteiro, integra a programação

unplace

Concebida exclusivamente para suporte digital na web, a exposição «unplace – arte em rede: lugares-entre-lugares», com curadoria de António Pinto Ribeiro e Rita Xavier Monteiro, integra a programação do Programa Gulbenkian Próximo Futuro e está disponível em unplace a partir de hoje, dia 19 de Junho. Junta obras de 16 artistas (Alfredo Jaar, Ai Weiwei,  Olafur Eliasson e João Paulo Serafim, entre outros) de diferentes nacionalidades e latitudes (de Cuba ao Egpito, passando pelos EUA, China, Portugal, Brasil, Perú, Reino Unido ou Holanda), algumas das quais web-specific e criadas especificamente para a mostra. Respondendo ao desafio de explorar as possibilidades e os limites da tecnologia e da linguagem digital, a maioria dos trabalhos preconiza uma reflexão crítica e uma postura de activismo relativamente ao controlo dos mecanismos de produção, arquivo e difusão da informação digital nos sistemas operativos que dominam a sociedade globalizada.
Paralelamente à exposição, cujo design do website coube aos WeAreBoq e o layout e implementação ao GBNT, serão lançados os e-books «Uncertain Spaces: Virtual Configurations in Contemporary Art and Museums» (editado por Helena Barranha e Susana S. Martins) e «Museus sem lugar: ensaios, manifestos e diálogos em rede» (editado por Helena Barranha, Susana S. Martins e António Pinto Ribeiro).
As iniciativas resultam de um projecto de investigação científica e artística «unplace – um museu sem lugar» desenvolvido em parceria pela Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Superior Técnico e Universidade Nova de Lisboa, contando, também, com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. CC 

Novo Banco Photo 2015

Novo Banco Photo 2015

A mostra correspondente à edição deste ano do prémio «Novo Banco Photo» inaugura hoje, dia 17 de Junho, no Museu Colecção Berardo, e apresenta trabalhos inéditos, concebidos ao abrigo de uma bolsa de produção, por Ângela Ferreira (Maputo, 1958), Ayrson Heráclito (Salvador, 1968) e Edson Chagas (Luanda, 1977). Com o objectivo de promover artistas provenientes de países de língua oficial portuguesa, a selecção dos nomeados, por um júri proveniente das três latitudes do mundo lusófono — Luís Silva (Kunsthalle Lissabon), Adriano Pedroso (Museu de Arte de São Paulo) e Bisi Silva (Centre for Contemporary Art, Lagos) — teve como critério o facto dos artistas terem realizado, no decorrer de 2014, uma exposição de obras em suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação. 

Ângela Ferreira, «A Tendency to Forget», Still, 2015

A Ângela Ferreira interessa, desde 1991 com «Amnésia», combater a falta de discurso crítico sobre o processo colonial e a descolonização portuguesa, enfatizando alguns dos vícios de gestão do sistema colonial que, considera, perdurarem até hoje. Apresenta fotografias dos edifícios que albergam o Museu Nacional de Etnologia e antigo Ministério do Ultramar (actual Ministério da Defesa Nacional) e um vídeo instalado numa estrutura escultórica. A investigação que deu mote ao projecto foi desenvolvida em torno do casal de etnólogos Jorge Dias (fundador do Museu Nacional de Etnologia) e Margot Dias (cineasta) que, paralelamente, ao trabalho de campo em torno dos macondes (norte de Moçambique), elaboravam relatórios confidenciais, de carácter político, sobre movimentos subversivos. O vídeo conjuga uma componente etnográfica e política, sendo composto por imagens do quotidiano dos colonos e excertos dos filmes de Margot Dias. A componente áudio remete para o diário da cineasta e para os relatórios remetidos para o Ministério do Ultramar.

Ayrson Heráclito, «O Sacudimento da Maison des Esclaves em Gorée, Díptico 1, Sacerdotes», 2015

Identificar em que medida a colonização e as práticas esclavagistas se reflectem na contemporaneidade, da pobreza à desigualdade social, numa atitude de purga e catarse, constitui o núcleo central em torno do qual Ayrson Heráclito tem desenvolvido o seu trabalho. Na mostra apresenta fotografia e vídeo, com componente performativa associada, referenciando um ritual de exorcismo afro-brasileiro de depuração dos espaços, realizado com folhas sagradas. Reúne as duas margens atlânticas ao tomar como cenários a Maison des Esclaves (Gorée, Senegal), porta sem retorno e de apagamento de memória de onde saíam a maior parte dos escravos rumo à América, e a Casa da Torre (Bahia, Brasil), símbolo máximo da colonização portuguesa e da escravatura no Brasil, associada a diversas atrocidades.

Edson Chagas, «Desacelera o Mambo. Celebrating Life», 2015

Através de fotografias e de um vídeo, Edson Chagas centra-se na sua própria vivência nocturna na cidade de Luanda (Ilha do Cabo, mais concretamente), captando imagens de um espaço relativamente recente concebido para a população desfrutar dos tempos livres, convivendo ou praticando desporto. Para o artista os objectos captados assumem-se como contadores de histórias ao serviço de um processo de desaceleração da vivência frenética das metrópoles. 
O vencedor do prémio, no valor de 40.000 euros, será anunciado a 22 de Setembro, estando a decisão a cargo de um júri internacional composto por Dana Whabira (artista e curadora independente), Manthia Diawara (historiador de arte e professor) e Salah Hassan (historiador de arte e professor), que terá como critério de avaliação a mostra patente no Museu Colecção Berardo até 11 de Outubro. CC

Black Mountain

Black Mountain

Até 27 de Setembro, o Museu Hamburger Bahnhof, em Berlim, mostra uma exposição retrospectiva da Black Mountain College. Fundada na década de 30 do século passado, na Carolina do Norte, a escola ganhou rapidamente fama devido aos seus métodos de ensino progressistas. Nela leccionaram figuras destacadas — nomeadamente artistas e pensadores europeus que fugiram da Europa durante a II Grande Guerra Mundial — como alguns elementos da Bauhaus.

Aula de desenho de Josef Albers, Black Mountain College, c. 1939/1940
Aula de desenho de Josef Albers, Black Mountain College, c. 1939/1940


É inegável o valor da sua influência na arte contemporânea a partir de 1960, através do trabalho de artistas que foram seus alunos, como por exemplo Robert Rauschenberg e Cy Twombly, mas também a nível social, através da pedagogia que incutia e que assentava sobretudo na criação de performances. 
«Black Mountain. An Interdisciplinary Experiment 1933 – 1957» consiste numa mostra de trabalhos de alguns dos professores e alunos; e um imenso arquivo de fotografias e documentários, bem como publicações produzidas pela escola, ajudando a dar a conhecer a vida no campus universitário. PdR

Jesper Just

Jesper Just

«Servitudes», que Jesper Just (Copenhaga, 1974) concebeu para a sua exposição individual a inaugurar a 24 de Junho no Palais de Tokyo, com curadoria de Katell Jaffrès, combina uma instalação audiovisual com uma intervenção arquitectónica que promete transformar por completo a galeria inferior da instituição parisiense e a experiência espacial e sensorial do próprio visitante. Reforçando a sua marca autoral, no vídeo que apresenta, composto por imagens de uma qualidade e som excepcionais, situando-se, novamente, na ténue fronteira com o filme, a narrativa volta a assumir-se aberta, enigmática, dramática, complexa e de uma inquestionável beleza armadilhada. Construído com referência ao icónico e controverso One World Trade Center, o vídeo tem como personagens principais uma jovem mãe e uma criança portadora de deficiência. Jesper Just volta a explorar o território ambíguo do género, da identidade, das relações e do desejo, questionando os limites da individualidade e, consequentemente, do próprio corpo. Em 2010 apresentou-se em Lisboa no Centro de Arte Moderna. Na capital francesa pode ser visto até 13 de Setembro. CC