Germaine

Germaine

No Jeu de Paume, em Paris, inaugurou a 2 de Junho a exposição «Germaine Krull: Un destin de photographe». Germaine Krull (1897-1985), fotógrafa alemã, ficou conhecida pela sua participação nas vanguardas dos anos 1920-1940, sendo uma das poucas mulheres fotógrafas da época. As suas inovações estéticas e a independência da sua concepção fotográfica, alinhada à esquerda, bem como o olhar sobre a condição da mulher, são algumas das características que contribuíram para a originalidade do seu trabalho.
 

Germaine Krull, «Rue Auber à Paris», c. 1928. The Museum of Modern Art, New York. Thomas Walther Collection. Doação de David H. McAlpin, por troca. © Estate Germaine Krull, Museum Folkwang, Essen

A sua obra tem sido pouco estudada e mostrada, ao contrário dos seus contemporâneos Man Ray, Moholy-Nagy ou Kertész, apesar das suas fotografias terem sido publicadas ao longo dos anos, principalmente na revista VU, lançada em 1928, na qual participou desde o início. Próxima do surrealismo, do construtivismo e da Bauhaus, privilegiava no entanto a reportagem, afirmando que: «o verdadeiro fotógrafo, a testemunha de todos os dias, é o repórter». 
A obra de Krull está ligada ao aparecimento de formas inovadoras de reportagem e de ilustração fotográfica, mas simultaneamente encarou a fotografia como actividade artística autónoma, tendo participado em exposições individuais e colectivas. Teve ainda um papel inovador na época ao publicar livros de fotografia individuais e portefólios, como «Métal» (1928), «100 x Paris» (1929), «Études de nu» (1930), «Le Valois» (1930), «La Route Paris-Biarritz» (1931), «Marseille» (1935), tal como o primeiro foto-romance com Simenon, «La Folle d’Itteville» (1931). 
A exposição agora apresentada no centro Jeu de Paume propõe uma nova leitura da sua obra integrando uma visão artística ligada à vanguarda e uma função mediática e ilustrativa, que se cruzam e interpenetram. É constituída por 130 tiragens da época e numerosos livros e revistas que mostram as intenções e o imaginário da fotógrafa, principalmente relativas ao período entre 1926 e 1933 (em que teve intensa actividade fotográfica), assim como o trabalho desenvolvido ao serviço da France Libre até 1945 e o período posterior, quando viveu na Ásia. A apresentação cronológica articula-se à volta dos temas da própria Germaine Krull que são também sintomáticos do seu papel no modernismo. A exposição mantém-se até 27 de Setembro. MM

Allan Sekula

A publicação internacional «Allan Sekula: Ship of Fools/The Docker's Museum» será lançada amanhã (dia 06/06), às 18h00 na Livraria Linha de Sombra (situada na Cinemateca Portuguesa

Allan Sekula

A publicação internacional «Allan Sekula: Ship of Fools/The Docker's Museum» será lançada amanhã (dia 06/06), às 18h00 na Livraria Linha de Sombra (situada na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema), com apresentação de Augusto M. Seabra e Emília Tavares.
Iniciativa da Maumaus e do espaço Lumiar Cité, em colaboração com a Livraria Linha de Sombra e a Cinemateca Portuguesa, o evento contará ainda com a exibição, às 19h30 na Sala Luís de Pina, do filme «Tsukiji» que Sekula (1951-2013) realizou em 2001.

Com edição em português (Lumiar Cité/Maumaus), inglês (Leuven University Press) e francês (La Criée Centre d’art contemporain/Frac Bretagne), a publicação foi organizada por Hilde Van Gelder, contando com ensaios do próprio, de Gail Day, Steve Edwards e Alberto Toscano. O prefácio é assinado por Jürgen Bock e Bart De Baere (curadores de exposições de Sekula).
O projecto «Ship of Fools / The Docker´s Museum», desenvolvido por Allan Sekula nos seus últimos anos de vida, tendo o  artista falecido sem o ver concluído, assume-se como uma homenagem ao trabalho realizado em torno das docas, por marinheiros e estivadores. A publicação apresenta 33 fotografias, dois diaporamas e mais de 1000 imagens gráficas, para além de apontamentos escritos pelo artista, uma selecção de entrevistas não publicadas, comunicações no âmbito dos últimos debates e conferências em que participou e, ainda, um ensaio da viúva do artista, Sally Stein,  historiadora de arte. CC

Nástio Mosquito

Nástio Mosquito

Numa exposição intitulada «A Solo Show», o artista angolano Nástio Mosquito exibe algumas das suas últimas obras na Bienal de Veneza, no Oratorio di San Ludovico, apresentando «Demo de Cracía» (2014) e «Fuck Africa Remix» (2015), feitas em colaboração com o cineasta e designer espanhol Vic Pereiró. Na primeira, Nástio dança em frente a um enorme écran numa cacofonia audiovisual que questiona estereótipos da comunicação e da identidade; «Fuck Africa Remix» é uma colagem de imagens em movimento em que o artista se mistura com líderes políticos e celebridades. 

Nástio Mosquito (em colaboração com Vic Pereiró) , «Fuck Africa Remix», 2015, vídeo. Cortesia Nástio Mosquito
Nástio Mosquito (em colaboração com Vic Pereiró) , «Fuck Africa Remix», 2015, vídeo. Cortesia Nástio Mosquito

A exposição inclui ainda um novo trabalho em vídeo, «South» (2015), mostrado num écran circular e criado por «Nastivicious», um projecto a longo prazo com Vic Pereiró. Nástio Mosquito venceu o  Future Generation Art Prize 2014. A sua prática abrange a música, o vídeo, a performance, a arte digital e a instalação. No seu trabalho, o artista angolano ocupa o centro do palco, muitas vezes assumindo diversos papéis através de mimetismo, de modo a exprimir ideias e observações sobre a loucura humana que se manifesta na vida moderna. 
Mosquito actuou em festivais de música no âmbito de programas de artes visuais – Biennale of Bordeaux (2009), Tate Modern (2012), Colecção Berardo  (2013) – e recentemente lançou um álbum, «Se Eu Fosse Angolano», apresentado no Lux, em Lisboa, em 2014. 

Nástio Mosquito no Oratorio di San Ludovico, Veneza, 2015. Fotografia da instalação. Cortesia do artista e Ikon. Fotografia: Giulio Favotto
Nástio Mosquito no Oratorio di San Ludovico, Veneza, 2015. Fotografia da instalação. Cortesia do artista e Ikon. Fotografia: Giulio Favotto

A exposição em Veneza está patente até 26 de Julho e tem como curador Jonathan Watkins, director da Galeria Ikon, de  Birmingham, em colaboração com Francesco Ragazzi e Francesco Urbano da Nuova Icona – Associazione Culturale per le Arti, de Veneza. MM

KWY

KWY

Se o alfabeto português não inclui as letras KWY, o panorama artístico nacional deve ao Grupo homónimo, a partir da frenética Paris do pós-guerra, e sem o recurso à escrita de qualquer manifesto, a sua mais efectiva aproximação à cena artística internacional no contexto da década de 60 que baliza o início da arte contemporânea e marca, entre outras, a emergência de novas linguagens figurativas. Lourdes Castro, René Bertholo, António Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada e Gonçalo Duarte, juntaram-se a Christo e Jan Voss para produzirem a revista «KWY» da qual saíram doze números, com tiragens muito limitadas, entre 1958 e 1964, para além de terem participado em outros projectos editoriais e em quatro exposições (Saarbrücken, Lisboa, Paris e Bolonha). 

Lourdes Castro, «Letras», (Paris) 1962. Madeira, pinça, caixa de metal prateada, plástico e tinta acrílica sobre tela. 50 x 100 cm. Col. Fundação de Serralves ― Museu de Arte Contemporânea, Porto
Lourdes Castro, «Letras», (Paris) 1962. Madeira, pinça, caixa de metal prateada, plástico e tinta acrílica sobre tela. 50 x 100 cm. Col. Fundação de Serralves ― Museu de Arte Contemporânea, Porto

A exposição «Um realismo cosmopolita: O grupo KWY na Colecção de Serralves», patente no Museu de Arte Contemporânea de Serralves até 27 de Setembro e comissariada por Catarina Rosendo, apresenta uma selecção de obras e publicações de artistas que integraram o grupo KWY e estão representados na colecção de Serralves. Abarcando um arco cronológico mais amplo que o da produção da revista, a mostra agrega ainda artistas que colaboraram pontualmente no projecto editorial «KWY», como António Areal, François Dufrêne, Raymond Hains, Bernard Heidsieck, Yves Klein e Jorge Martins. CC

Travelogue Summer School

Travelogue Summer School

«Travelogue Summer School» terá lugar de 3 a 8 de Agosto na Escola de Belas Artes da Universidade do Porto. Através de um programa de visitas guiadas, palestras e workshops dirigidos por uma equipe multidisciplinar, o objectivo desta escola de Verão é provocar reflexão e gerar debate sobre o espaço urbano e o clima social e político da cidade, a fim de construir um guia da cidade.

Aberto a 20 participantes, o projecto constitui-se como um fórum de debate e prática colaborativa dedicada a profissionais e estudantes nas áreas de design, arquitectura, artes e disciplinas relacionadas. 
«Travelogue Summer School» é um projecto de Ana Schefer, Márcia Novais e Teo Furtado, em parceria com a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. O programa conta coma participação de Europa, DK-CM, Brave New Alps, Mário Moura, The Worst Tours, Anna Best, Isabel Carvalho, Project Paper e Ricardo Melo. O prazo de candidaturas decorre até  7 de Junho. SVJ