1887 – 2058, Dominique Gonzalez-Foerster

1887 – 2058, Dominique Gonzalez-Foerster

«1887 – 2058» é a exposição prospectiva e retrospectiva de trabalhos de Dominique Gonzalez-Foerster que decorre no Centro Pompidou até 1 de Fevereiro de 2016. 

Dominique Gonzalez-Foerster, «Euqinimod & costumes», 303 Gallery, Nova Iorque, 2014. © Dominique Gonzalez-Foerster, Cortesia 303 Gallery, Nova Iorque. Fotografia: John Berens. © ADAGP, Paris 2015

Através de novos exercícios cenográficos, Gonzalez-Foerster propõe uma cronologia aberta que cobre os séculos XIX, XX e XXI e integra 30 trabalhos instalados em ambientes criados no interior e no exterior do Centro Pompidou. Nela recupera temas e trabalhos apresentados nas exposições individuais mais importantes realizadas no Musée d’art moderne de la Ville de Paris em 2007, na Tate Modern em 2008 e no Palacio de Cristal de Madrid (organização do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia), em 2014.

Dominique Gonzalez-Foerster, «Splendide Hotel (annexe)», 2015. © Dominique Gonzalez-Foerster. © ADAGP, Paris 2015

A partir de aspectos da memória colectiva, da ficção científica, de referências do cinema, de citações literárias, e estruturas arquitectónicas, compõe um labirinto espácio-temporal que se inicia no passado, em 1887 – uma referência à Construção do Splendide Hotel, que foi ponto de partida da exposição que a artista apresentou no Palácio de Cristal em Madrid – e termina, no futuro, em 2058 – referência a «TH.2058», exposição apresentada na Tate Modern, em 2008, no âmbito do ciclo «The Unilever Series», onde imaginou o futuro em Londres, num estado potencial de catástrofe, onde o museu funcionaria como um abrigo para pessoas e para a sobrevivência de obras de arte e dos últimos resquícios de cultura.

Dominique Gonzalez-Foerster, «Atomic Park», 2004. Filme, 8’14’’. © Dominique Gonzalez-Foerster. © Anna Sanders Films/Camera Lucida Productions/Dominique Gonzalez-Foerster. © ADAGP, Paris 2015

Trata-se simultaneamente de uma viagem ao futuro e ao passado, composta por realidades paralelas que, como vem acontecendo no seu trabalho, tem sempre um carácter muito cenográfico e literário. Dominique Gonzalez-Foerster interessa-se por transferir universos literários para o espaço expositivo e trabalha recorrentemente em colaboração com cenógrafos, escritores e outros artistas, com músicos e cineastas, desenvolvendo uma arte heteróclita, muito expandida a outros autores e a outras áreas, à literatura e à experiência directa do espectador. De facto, a artista considera que a arte é mais intensa como experiência que como imagem.

Dominique Gonzalez-Foerster, «Nos années 70 (chambre)». Ambiente, «RWF», Hohenzollernring 74, Schipper & Krome, (11 - 17 Novembro 11, 1993). © Cortesia da artista e Esther Schipper, Berlim. © ADAGP, Paris 2015

Com curadoria de Emma Lavigne, directora do Centre Pompidou-Metz, esta exposição monográfica da artista decorre da linha de programação do Centre Pompidou dedicada a apresentar exposições retrospectivas de artistas contemporâneos, como Gabriel Orozco, Pierre Huyghe ou Philippe Parreno, com quem tem colaborado em vários projectos.

Dominique Gonzalez-Foerster, «Sans Titre (mm)». Fotografia preparatória, 2015. © Giasco Bertoli e Dominique Gonzalez-Foerster, © ADAGP, Paris 2015


Será lançado um catálogo com muitas participações, entre as quais a do escritor catalão Enrique Vila-Matas, com quem a artista mantém um diálogo e uma admiração recíproca desde 2007. De resto, Enrique Vila-Matas acabou de publicar em Setembro um livro sobre a obra da artista, «Marienbad électrique», que será lançado durante a exposição. SVJ

Karl Holmqvist, Hurry Up

Karl Holmqvist, Hurry Up

Inaugura amanhã, 9 de Outubro, a exposição «Hurry Up. Chase it Down» do artista Karl Holmqvist, no Sismógrafo, Porto.

Sueco, a viver e trabalhar em Berlim, Karl Holmqvist tem uma prática artística sustentada no uso da linguagem que pode relacionar-se com a arte conceptual, a poesia visual, mas também com a cultura popular. 

No seu trabalho, está muito presente o campo da literatura, com autores como Mallarmé, Rimbaud ou T. S. Eliot, bem como a expressão musical, seja ela de natureza pop ou alternativa, sendo também várias as formas em que apresenta o seu trabalho, através de intervenções escultóricas, livros de artista ou performances, como a que realizou junto a Patti Smith na Bienal de Veneza de 2011. 
A exposição, que permanece no Sismógrafo até 7 de Novembro tem como ponto de partida a arquitectura do espaço e materializa-se num jogo e confronto de palavras e imagens inscritas sobre a parede ou peças de mobiliário.
No fim-de-semana,  Karl Holmqvist estará no Porto para uma conversa que decorre no local, no Domingo, 11 de Outubro, às 17h00, moderada por Óscar Faria e Hernâni Reis Baptista. SVJ

Carla Lonzi e a arte da revolta

Carla Lonzi e a arte da revolta

O Doclisboa’15 apresenta «Suite Rivolta - o feminismo radical de Carla Lonzi e a arte da revolta», exposição integrada no programa Passagens.

Cabello/Carceller, «Suite Rivolta. An Aesthetic Proposal for Action», 2011. HD vídeo, cor, som

«Suite Rivolta» reúne trabalhos e documentos relacionados com a figura e escritos de Carla Lonzi (1931-1982), crítica de arte e feminista italiana, figura influente e uma das fundadoras do grupo «Rivolta Femminile» criado em 1970. O trabalho de Lonzi, na sua actualidade e dimensão estética e política é aqui reconsiderado. Questões de sexualidade e prazer, subjectividade, a relação entre corpo e linguagem, do feminino enquanto agência e voz autoral, são explorados nos escritos de Carla Lonzi que, também no seu trabalho enquanto crítica de arte, praticava uma metodologia experimental, pessoal, privilegiando o diário íntimo.

Suzanne Santoro,«Mount of Venus and beyond», 1971

A exposição «Suite Rivolta» investiga a possibilidade de repensar o feminismo radical dos anos 1970, na contemporaneidade. Cabello/Carceller, Claire Fontaine, Chiara Fumai, Silvia Giambrone e Valentina Miorandi trabalham o legado de Carla Lonzi enquanto um conjunto de operações transformadoras que podem ser reactivadas no presente, a par dos trabalhos de 1971-1974 de Suzanne Santoro também em exposição.
A exposição inaugura a 15 de Outubro, às 18h30, no Museu da Electricidade e estará patente até dia 6 de Dezembro. SM

Take Me (I’m Yours)

Take Me (I’m Yours)

Monnaie de Paris apresenta «Take Me (I’m Yours)», uma exposição colectiva e participativa reunindo trabalhos de 44 artistas internacionais com curadoria de Christian Boltanski, Hans Ulrich Obrist e Chiara Parisi, destinada a questionar as relações entre a arte e o público e transformando os seus salões do século XVIII em lugares de intercâmbio livre e criativo.
«Take Me (I’m Yours)» propõe um outro conceito de exposição. Christian Boltanski expõe a reconstituição do trabalho apresentado na Serpentine Gallery em Londres. Com o mesmo título, «Dispersão», a obra do artista francês dá o mote para as obras dos outros artistas, que incluem obras comestíveis, pequenos gadgets e instruções de utilização, que contrastam com as ideias de intangibilidade e perenidade geralmente associadas à criação artística.

Christian Boltanski, «Dispersion», 1991-2015. Fotografia: Marc Domage

Os curadores da exposição, Christian Boltanski e Hans Ulrich Obrist, retomam a ideia que os levou em 1995 à Galerie Serpentine, em Londres, renovando-a.
Ao grupo inicial (Christian Boltanski, Maria Eichhorn, Hans-Peter Feldmann, Jef Geys, Gilbert & George, Douglas Gordon, Christine Hill, Carsten Höller, Fabrice Hyber, Wolfang Tillmans, Lawrence Weiner e Franz West) juntaram-se obras de outros artistas (Etel Adnan & Simone Fattal, Pawet Althamer, Kerstin Brätsch & Sarah Ortmeyer, James Lee Byars, Heman Chong, Jeremy Deller, Andrea Fraser, Gloria Friedmann, Felix Gonzalez-Torres, Bertrand Lavier, Jonathan Horowitz, Koo Jeong-A, Alison Knowles, Charlie Malgat, Angelika Markul, Gustav Metzger, Otobong Nkanga, Roman Ondák, Yoko Ono, Philippe Parreno, Sean Raspet, Takako Saito,  Daniel Spoerri, Rirkrit Tiravanija, Amalia Ulman, Franco Vaccari e Danh Võ) e ainda Ho Rui Na, Felix Gaudlitz e Charlie Malgat. Um encontro entre gerações e uma mistura de abordagens tornados possíveis por Hans Ulrich Obrist.

Jonathan Horowitz, «Free Store», 2009-2010. Cortesia do artista e Gavin Brown’s enterprise, Nova Iorque. Fotografia: Marc Domage

A exposição é para ser fruída e experienciada, os visitantes são incentivados a envolver-se, as obras devem ser tocadas, consumidas, levadas para casa. Os visitantes são convidados a participar nela, a assumirem um papel, a levarem consigo objectos, dando-lhes assim uma nova vida. Na «finissage», as obras desaparecem, disseminando-se completamente.

Hans-Peter Feldmann, «Postcards». Fotografia: Marc Domage

Os artistas oferecem aos visitantes objectos variados que eles próprios criaram para a exposição, como esculturas em osso produzidas por uma impressora 3D (Angelika Markul), crachás (Gilbert & George), DVD que se apagam à medida que são lidos (Philippe Parreno), marcadores de página em couro (Amalia Ulman), roupas para transportar num saco (Christian Boltanski), pequenas esculturas da Torre Eiffel (Hans-Peter Feldmann), postais ilustrados (Hans-Peter Feldmann, Yoko Ono, Danh Võ), cartões de visita pintados de preto (Heman Chong), etc. Alguns artistas oferecem ainda obras que são consumidas no local, como latas de sardinhas e pedaços de esqueleto em massapão (Daniel Spoerri), água de rosas destilada com hóstias (Rirkrit Tiravanija), comprimidos de efeito desconhecido (Carsten Höller), bombons da cor do céu (em memória de Felix Gonzalez-Torres) e ovos (Kerstin Brätsch & Sarah Ortmeyer).

Felix Gonzalez-Torres, «‘Untitled’ (Revenge)», 1991. © The Felix Gonzalez-Torres Foundation. Fotografia: Marc Domage

São ainda propostas outro tipo de intercâmbios, como adquirir um objecto em troca de dinheiro (Fabrice Fabrice Hyber, Christine Hill, Yoko Ono), um espaço de vendas automáticas (Jonathan Horowitz, Bertrand Lavier, Sean Raspet, Wolfgang Tillmans). O público é igualmente envolvido na criação de uma obra (Gustav Metzger, Yoko Ono, Franco Vaccari, Lawrence Weiner), convidado a seguir as instruções de artistas para participar num jogo (Douglas Gordon) ou a personalizar objectos (Jeremy Deller) além de muitas outras propostas interactivas.
A exposição transforma-se dia após dia graças ao público. Sai para fora das salas da exposição através da aplicação Google propondo uma visita virtual às versões da exposição de Londres, à actual em Paris e às futuras (Charlie Malgat, Ho Rui Na); Federico Nicolao escreve uma crónica quotidiana da exposição no Instagram (#kikerikidide).
A exposição decorre no espaço Monnaie de Paris até 8 de Novembro. MM

Paulo Nozolino, Make do

Paulo Nozolino, Make do

Em Outubro abre ao público na Galeria Quadrado Azul em Lisboa, «Make do» de Paulo Nozolino. A exposição reúne um corpo de imagens que foca exclusivamente a mulher e que foi sendo desenvolvido entre 1974 e 2013. 

Em Novembro, Paulo Nozolino irá expor «J’étais là» no Espaço Leica da Paris Photo 2015, feira de fotografia que decorre no Grand Palais, em Paris de 12 a 15 de Novembro. Nessa ocasião Paulo Nozolino irá lançar simultaneamente um livro com o mesmo título editado pelo Centre d’ Art GwinZegal, que resulta de uma residência que o artista fez na Bretanha com Stéphane Duroy entre 2010-2014, a convite de Paul Cottin.
A mostra da Galeria Quadrado Azul, em Lisboa, abre ao público a 2 de Outubro e permanece até 24 de Dezembro. SVJ