O Museu como Performance

No próximo fim-de-semana (19 e 20 de Setembro) o Museu de Arte Contemporânea de Serralves inaugura um novo eixo programático que reflecte e explora novas direcções na relação entre a

O Museu como Performance

No próximo fim-de-semana (19 e 20 de Setembro) o Museu de Arte Contemporânea de Serralves inaugura um novo eixo programático que reflecte e explora novas direcções na relação entre a performance e as artes visuais, reafirmando o seu posicionamento enquanto instituição promotora da transdisciplinaridade. Aquela que será a primeira edição, intitulada «O Museu como Performance», ocupará diferentes espaços do Parque e do Museu de Serralves, e contará com a participação dos artistas Isabel Carvalho, Alex Cecchetti, Maria Hassabi, Loreto Martinez Troncoso, bem como das duplas Anastasia Ax & Lars Siltberg, Kovács/O’Doherty, Musa Paradisiaca, New Noveta e VIVO. O comissariado, partilhado entre Cristina Grande, Ricardo Nicolau e Pedro Rocha (respectivamente programadores de dança e performance, artes visuais e música da instituição museológica), aposta na apresentação de obras inéditas e recentes, abarcando dança, palavra dita e performances visuais e musicais. CC  

Posto de fronteira

Posto de fronteira

No espaço expositivo do BAL – um projecto da Associação dos Amigos da Magnum presidida por Raymond Depardon –, em Paris, é apresentada «Empire», uma exposição do fotógrafo francês Samuel Gratacap sobre os fenómenos migratórios da África subsariana.

Empire, 2012-2014 © Samuel Gratacap

Desde 2007, Samuel Gratacap leva a cabo uma reflexão sobre a representação das questões geopolíticas  norte-sul, sul-sul e áreas de transição no mapa das rotas de migração no Mediterrâneo. O seu trabalho é baseado na imagem fotográfica e filmada. Até agora concretizou vários projectos em zonas de trânsito, especialmente no centro de detenção administrativa de Canet (Marselha, 2007-2008), na ilha de Lampedusa (2010), e viveu dois anos entre a França e a Tunísia.

Empire, 2012-2014 © Samuel Gratacap

Nos seus projectos,  interessa-se pelas histórias e percursos daqueles que largam tudo para procurar outro lugar para viver. Em 2013 foi vencedor do prémio Prix SFR-Le Bal de la Jeune Création Photographique pelo seu projecto no campo de refugiados de Choucha. Acerca do seu projecto o autor refere: «Situado na Tunísia, a 7 km do posto de fronteira com a Líbia, o campo de Choucha tornou-se um ponto de trânsito para centenas de milhares de refugiados de origem subsariana que fugiram da guerra na Líbia. Desde 2011, data do início do acampamento no deserto tunisino, eu segui a vida dos refugiados. O meu trabalho fotográfico e de vídeo reflecte o espaço-tempo deste lugar de vida marcado pela espera.»
É deste trabalho que se apresenta um conjunto de fotografias, no BAL, em Paris, de 11 de Setembro a 4 de Outubro. MM

Context is Half the Work

Context is Half the Work

The Artist Placement Group (APG) foi um grupo fundado no Reino Unido em 1966 com o objectivo de desenvolver pesquisas e organizar projectos artísticos em instituições públicas e organismos de natureza social, empresarial ou outra, que permitissem aos artistas colaborar directamente com instituições e envolver-se em processos de decisão. A sua acção está em destaque na exposição «Context is Half the Work – A Partial History of the Artist Placement Group» no Kunstraum Kreuzberg/Bethanien, em Berlim, que inaugura a 12 de Setembro e encerra a 8 de Novembro.

Uso do potencial artístico para as tarefas governamentais e administrativas, discussão da APG com funcionários do ministério no Kunstverein Bonn, 1977/08/12. Cortesia: Stadtarchiv Bonn, Fotografische Sammlung - Bestand Franz Fischer

A mostra foca os projectos realizados pelo colectivo entre 1969 e 1984, os quais implicaram vários processos de negociação com entidades de diferentes naturezas, em defesa da autonomia artística, que podem ser hoje exemplos relevantes para as actuais práticas artísticas desenvolvidas em contextos comunitários.

The Sculpture – Vacant State. Vista da exposição, Kunsthalle Düsseldorf, 1971. Cortesia: Barbara Steveni

A exposição irá culminar com um simpósio que irá vai abordar e discutir conceitos centrais da intervenção do grupo, focando as contradições e desafios que se colocam actualmente ao trabalho artístico de cunho social desenvolvido em comunidades locais, por exemplo: «Como se situam estas práticas artísticas face ao protagonismo da «criatividade empresarial»? Outra das questões lançadas pelos organizadores deste encontro que junta elementos do colectivo e teóricos de diferentes áreas é: «Quais os conflitos de interesses que existiram e ainda existem em termos de colaboração artística com as comunidades locais?» SVJ

Material em bruto

Material em bruto

Na exposição «Magnum Contact Sheets», a inaugurar no dia 11 de Setembro no FOAM, são apresentados, pela primeira vez, os momentos antes e depois de algumas das fotografias mais icónicas que marcaram a história do fotojornalismo da Magnum, assim como as circunstâncias e o contexto sociopolítico e histórico em que foram criadas. A mostra é composta por 60 folhas de contacto e imagens associadas, oferecendo uma visão cronológica de momentos históricos situados entre 1930 e 2010 de fotógrafos como Robert Capa, Henri Cartier-Bresson, David 'Chim' Seymour, Werner Bischof, George Rodger, Elliott Erwitt, Martin Parr, Jim Goldberg, Trent Parke, Paolo Pellegrin e Alec Soth.

Ernesto 'Che' Guevara. Havana, Cuba, 1963. Contact Sheet © Rene Burri / Magnum Photos

A utilização de imagens de grande formato em exposições desde os anos 1990 foi-se generalizando e, desde então, a fotografia e o trabalho documental foram ganhando um lugar no domínio da expressão artística. A apresentação de material em bruto, as folhas de contacto, usadas como uma espécie de bloco de notas pelos fotógrafos, parte da ideia de que fazendo parte do processo criativo, constitui uma oportunidade de acompanhar os passos que levam até à fotografia exibida, incluindo os erros, os falhanços e os golpes de sorte.

Prague Invasion. Czeschoslovakia, August 1968 © Josef Koudelka / Magnum Photos

De algum modo, a exibição das folhas de contacto e o material apresentado deixam o fotógrafo mais exposto pois quebram a aura da «imagem única» mas, por outro lado, através da explicitação gráfica de processos de selecção, notas e contextualização histórica, acrescentam ao seu trabalho dimensões muitas vezes ignoradas.

Prague Invasion. Czeschoslovakia, August 1968. Contact Sheet © Josef Koudelka / Magnum Photos

Todos os formatos «analógicos» estão representados na exposição, desde o standard 35 mm até às imagens panorâmicas e de grande formato, a preto e branco e a cores. As folhas de contacto, tendo-se tornado «relíquias» de uma técnica que nos nossos dias é quase arqueológica – a digitalização mudou radicalmente o processo de trabalho e a materialidade do medium fotográfico – tornaram-se um artefacto em si mesmo. «Magnum Contact Sheets» é assim um tributo à tradição do fotojornalismo mas também o canto do cisne de uma forma perdida de arte. Pode ser vista no Foam Fotografiemuseum, 
em Amesterdão, de 11 de Setembro a 9 de Dezembro. MM

Do outro lado

Do outro lado

No âmbito da exposição «Do Outro Lado», patente no Espaço MIRA (Porto) até 26 de Setembro, vai realizar-se amanhã, dia 5 às 17h00, «Amanheceu enquanto conversávamos» – conversa, num registo informal, orientada pelo curador Guy Amado com os artistas e com o público.

Composta por fotografia e vídeo, a exposição traz a Portugal obras dos artistas brasileiros Bruno Vilela (1977), Ding Musa (1979), Fabiana Wielewicki (1977), Glaucis de Morais (1972), Luiz Roque (1979), Roberto Bellini (1979), Ronaldo Brandão (1964) e Wagner Malta Tavares (1964).

Roberto Bellini, «Acéphale», 2009 (still de vídeo)

A proposta expositiva partiu do conceito de margem, numa perspectiva que convoca mas extrapola a vertente paisagística e geográfica (aludindo, por exemplo, às duas margens do Atlântico que delimitam os países envolvidos) para, a partir de imagens que convocam a imaginação pela assumida componente narrativa e ficcional, reflectir em torno das interrogações desencadeadas pela própria imagem em si mesma e, consequentemente, da linguagem. Um convite para passar para o outro lado da margem. CC