Todo o cartaz é político

Todo o cartaz é político

Artista, curador, crítico, cineasta, poeta, Ernesto de Sousa (1921-1988) reuniu, ao longo da sua vida, um vasto espólio de cartazes, nacionais e internacionais, sobre arte e política. São cerca de 300 exemplares dessa colecção que podem ser vistos no Museu Berardo, até 27 de Setembro, no âmbito da exposição «your body is my body — o teu corpo é o meu corpo», com comissariado de Isabel Alves.
 

«Joseph Beuys», sem data. Bernd Klüser, München. 68 x 48 cm. Colecção de Cartazes Ernesto de Sousa. Fotografia: Cláudio Balas.
«Joseph Beuys», sem data. Bernd Klüser, München. 68 x 48 cm. Colecção de Cartazes Ernesto de Sousa. Fotografia: Cláudio Balas.

Abrangendo um arco cronológico de 60 décadas (de 1933 a 1988), os cartazes em exibição permitem redescobrir o contexto artístico-cultural e político que marcou grande parte do século XX, não só em Portugal como na Europa, mas também o carácter multifacetado e transdisciplinar de Ernesto de Sousa, traçando um possível mapeamento do seu percurso, das suas viagens, influências, afectos e convicções («Todo o cartaz é político», afirmou em 1977).
 

«Insultai o Perigo», 1971. Carlos Gentil-Homem, Ernesto de Sousa. 55,5 x 83 cm. Coleção de Cartazes Ernesto de Sousa. Fotografia: Cláudio Balas
«Insultai o Perigo», 1971. Carlos Gentil-Homem, Ernesto de Sousa. 55,5 x 83 cm. Coleção de Cartazes Ernesto de Sousa. Fotografia: Cláudio Balas

Reflectindo recorrentemente sobre as potencialidades das artes gráficas, Ernesto de Sousa elegeu o cartaz enquanto «medium» privilegiado ao serviço da criatividade e da democracia, pela sua capacidade de síntese e de recepção por parte de um público alargado. Destaque especial merece o catálogo da exposição que foi lançado no passado dia 14 e reúne uma selecção mais alargada de cartazes (que passaram, na totalidade, a integrar a Colecção Berardo), um conjunto de imagens documentais e a reedição de textos de Ernesto de Sousa, entre os quais o ensaio «Artes Gráficas, Veículo de Intimidade», de 1965. Reúne também ensaios inéditos de José Bártolo e Rui Afonso Santos. CC

Curating on the web

Curating on the web

O Node Center for Curatorial Studies é uma organização sedeada em Berlim que explora diferentes estratégias e abordagens à prática curatorial e educação artística. Promove um conjunto diversificado de actividades divididas em duas vertentes: um programa de residências para curadores, a «Innovators Grant», e a «Online Platform», plataforma de cursos online. O carácter inovador desta plataforma expressa-se na oferta.

Um dos próximos cursos, «Curating on the Web: Exhibiting Internet-based Art» oferece formação teórica e prática específica para a curadoria, arquivo e divulgação de projectos artísticos criados para a internet. Estes cursos têm a duração de 4 semanas e a tutoria está a cargo de um especialista na área. SM

I’ll Be Your Mirror

Desta vez a representação oficial de Portugal na Bienal de Veneza (56ª edição) não ficou ancorada num cais. Instalou-se no Palazzo Loredan, concretamente nas seis salas que compõem a sua

I’ll Be Your Mirror

Desta vez a representação oficial de Portugal na Bienal de Veneza (56ª edição) não ficou ancorada num cais. Instalou-se no Palazzo Loredan, concretamente nas seis salas que compõem a sua imponente biblioteca. No princípio a música – o título da mostra corresponde à canção que Lou Reed compôs para os Velvet Underground. Mas também literatura e cinema, ao apropriar-se de frases e imagens que eternizaram obras e autores que marcaram gerações.
 

João Louro, «I'll Be Your Mirror – Poems and Problems», Bienal de Veneza, 2015. Fotografia: João Miranda
João Louro, «I'll Be Your Mirror – Poems and Problems», Bienal de Veneza, 2015. Fotografia: João Miranda

«I'll Be Your Mirror» dá-nos sobretudo, a possibilidade de reflectir sobre a globalidade do corpo de trabalho de João Louro (Lisboa, 1963) que se espelha na mostra com comissariado de Maria del Corral. Mas o conjunto de obras (pintura, fotografia, escultura e instalação) que Louro concebeu especificamente para a exposição, e as outras que foram adaptadas para o efeito, não espelha só o artista e as especificidades da sua produção, reflecte o conjunto de referenciais que o inspiraram. O pressuposto de que a obra de arte também espelha o espectador, que a recepciona e interpreta, baseando-se nos seus próprios referenciais, completando-a (a «Obra Aberta», de Umberto Eco), é assumida pelo artista como um dos pressupostos fundamentais que sustentam a sua produção. Influenciado pela arte conceptual, minimalismo, estruturalismo e pós-estruturalismo, tal como pela cultura Pop, a João Louro interessa-lhe, sobretudo, interrogar-se sobre os pilares e a eficácia da cultura visual. «I'll Be Your Mirror», espelho de convicções e inquietações, pode ser visto até Novembro. CC

One Woman Show

One Woman Show
«Works by Yoko Ono», poster, Carnegie Recital Hall, Nova Iorque, 24 de Novembro de 1961, Museum of Modern Art. The Gilbert and Lila Silverman Fluxus Collection Gift, 2008. © 2014 George Maciunas
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A exposição «Yoko Ono: One Woman Show, 1960-1971» inaugura a 17 de Maio no MoMa, em Nova Iorque. Anunciada como um importante acontecimento na temporada do museu, a mostra reúne mais de 125 obras que representam o início do percurso da artista, durante muito tempo ofuscada pela sua relação com John Lennon. Esta é a primeira exposição no MoMA exclusivamente dedicada à artista. Todavia, em 1971, Yoko Ono realizou uma intervenção intitulada «Museum Of Modern (F)art»​, onde anunciava uma exposição individual nesta instituição. Na ocasião, em frente da entrada do museu, um «homem-sanduíche» declarava que uma nuvem de moscas fora lançada por Yoko Ono, convidando o público a seguir o seu voo no interior do museu e pela cidade.
 

Yoko Ono, «Museum of Modern [F]art», 1971. Catálogo da exposição, offset, 30 x 30 x 1 cm. The Museum of Modern Art Library, New York. © Yoko Ono 2014
Yoko Ono, «Museum of Modern [F]art», 1971. Catálogo da exposição, offset, 30 x 30 x 1 cm. The Museum of Modern Art Library, New York. © Yoko Ono 2014

Quarenta anos depois, a exposição documenta a década decisiva que levou à exposição não autorizada no MoMA, reunindo obras sobre papel, instalações e performances, ao lado de materiais de arquivo raramente vistos. Os seus primeiros trabalhos foram muitas vezes baseados em instruções comunicadas aos visitantes na forma verbal ou escrita, antecipando os objectos que foi apresentando nos anos seguintes, por exemplo, «Grapefruit» (1964), «Apple» (1966) e «Half-A-Room» (1967), obras que estão patentes na mostra. Também são apresentadas gravações áudio e filmes, incluindo «Cut Piece» (1964) e «Film No. 4» (1966-1967). A exposição permanece até 7 de Setembro. MM

Novo Whitney

Depois de quase 50 anos no Upper East Side, o novo Whitney, desenhado pelo arquitecto Renzo Piano, abriu portas a 1 de Maio no Meatpacking District. Considerado já, tanto por críticos, como por visitantes, como o melhor

Novo Whitney

Depois de quase 50 anos no Upper East Side, o novo Whitney, desenhado pelo arquitecto Renzo Piano, abriu portas a 1 de Maio no Meatpacking District. Considerado já, tanto por críticos, como por visitantes, como o melhor museu da cidade – suplantando o MoMA – está estrategicamente construído no extremo sul da High Line, fazendo assim parte de um itinerário privilegiado da cidade que se desenha até Chelsea, onde estão representadas praticamente todas as grandes galerias mundiais.
 

Whitney Museum of American Art. © Nic Lehoux
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Tal como acontecia no seu antigo espaço, as exposições actualmente patentes também integram obras da sua extensa colecção privada, contemplando escultura, pintura, fotografia e instalação que abrangem várias épocas e movimentos da arte moderna e contemporânea. No actual edifício, para além das exposições, existem vários programas educativos e ainda projecção de ciclos de cinema. O seu antigo espaço continuará de portas abertas e dedicado à arte, passando a ser ocupado por uma extensão do Metropolitan Museum of Art. PdR